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O ACASO DO OUTONO
 
Seus olhos, ora castanhos claro ora verdes suave,
Despiram-me, por inúmeras vezes, naqueles encontros
– de soslaio.
 
Seus lábios, quase mudos, não obstante, prenhes de desejo,
Açambarcaram os meus, ora superior ora inferior
– os dois, por vezes.
 
Suas mãos pequenas e irrequietas encontraram as minhas caladas;
Deslizaram entre os meus, os seus dedos, como água entre as pedras
– invadiram-me.
 
Mar ou serra, sol ou lua; dia ou noite, trovão ou orvalho;
Nada pode contra o tempo; tudo pode a favor do vento
– o encanto.
Se por um acaso, o vento de fim de outono te trouxe;
O ocaso do inverno se encarregou de te levar
– restou teu sorriso. 

(Poema publicado na Antologia de Poesias "Paixão et cetera e tal" - CBJE; maio de 2016, p.34)
Gabriel Joerke
Enviado por Gabriel Joerke em 23/07/2016
Alterado em 26/07/2016
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