Textos


BIBI E AS BORBOLETAS
(Conto infantil)

         Todas as manhãs, o avô de Bibi a levava ao parquinho do bairro. Muitos brinquedos coloridos, crianças correndo de um lado para outro, outras brincando com seus amiguinhos e suas amiguinhas na areia do parque. Bibi gostava também de brincar e, quando se cansava, sentava-se junto com o avô num banco, perto do laguinho. Conversavam enquanto olhavam as árvores, as flores, as tartarugas, os patos e gansos no laguinho e os passarinhos.
            Certa vez quando estava descansando no banco, escutou:
            ̶ Psiu! Psiu! Psiu!
            Olhou de um lado para outro e não viu quem a chamava.
            De novo:
            ̶ Psiu! Psiu! Psiu! – Sou eu – escutou dizer.
            Olhou para trás e viu, numa folha de uma pequena árvore, uma coisa estranha grudada nela.
          ̶ Ué! O que é isso? – perguntou, tentando mexer com seus dedos, na coisa estranha grudada na folha da árvore.
            ̶ Não! Não! Não me tire daqui, por favor! – respondeu-lhe a coisa estranha.
            ̶ Quem é você? – perguntou-lhe Bibi, ficando bem perto.
           ̶ Sou uma borboleta, quer dizer... serei uma borboleta – ouviu como resposta.
           ̶  Er... Ahn! Uma borboleta? Tão feia assim?! As borboletas são bonitas, coloridas e sempre estão voando. Você é feia e não voa!
            ̶ Sniff! Sniff! Sniff! – começou a chorar, a coisa feia que não voa.
            ̶ Não me tire daqui! Não me machuque! Posso explicar porque estou ainda aqui. Você quer me ouvir? Sniff! Sniff! Sniff! – chorando, suplicou a coisa feia que não voa.
            Bibi ficou com pena ao vê-la chorar assim e, decidiu escutar a história; a história da coisa feia que não voa.
         ̶ Você conhece as borboletas, né? Assim como as pessoas passam por várias etapas, desde criança até a idade do teu vozinho, as borboletas também passam por várias fases. Quer que te conte como isso acontece? – perguntou a coisa feia que não voa.
            ̶ Sim. Conte-me. Agora estou curiosa para saber. – disse Bibi, acomodando-se melhor no banco, ao lado do avô.
            ̶ Pois bem. – iniciou a coisa feia que não voa – as borboletas colocam seus ovos, geralmente, nas folhas das plantas, onde ficam assim por alguns dias ou até um mês.
            ̶ Nas folhas das plantas? E os ovos não caem? – perguntou Bibi.
            ̶ Não. Eles ficam grudadinhos nas folhas e não caem.
            Continuando...
            ̶ Dos ovos, saem larvas ou também chamadas de lagartas. Estas lagartas aproveitam para comer folhas, muitas folhas. Comem, comem, comem, até se entupirem e ficarem mais gordinhas e compridas. 
            ̶ Gordinhas e compridas?! Hum...! – resmungou Bibi.
            ̶ Sim, gordinhas e compridas, porque é nesse período, que dura de sete a um ano, que as larvas, além de se alimentarem para crescerem e guardarem energias, elas produzem fios de seda para se abrigarem.
            ̶ Igual às blusas que a gente usa quando faz frio? – perguntou Bibi.
            ̶ Sim. Depois elas mudam de pele várias vezes até ficarem em repouso total por uma semana ou até por um mês, dentro de um casulo ou casinha.
          ̶ Meu vozinho também fica de repouso após almoço. – informou Bibi.
            ̶ Então, daí, quando tudo está pronto, a lagarta rompe o casulo ou casinha, abre suas belas asas e voa feliz.
            ̶ Hum...! De coisa feia que não voa, vira uma linda e colorida borboleta? – disse, sorrindo, Bibi.
            ̶ Sim. De todas as cores e combinações: amarela, laranja, azul, preta, branca, violeta etc. Por isso te pedi que você não me tirasse daqui, porque logo me tornarei uma borboleta linda, colorida e feliz; deixarei de ser uma coisa feia e que não voa. Para tanto, toda borboleta passa por essas fases. – completou a história a futura borboleta.
            Bibi, feliz com a história da nova amiga borboleta, daí por diante, fazia questão de preservá-las e não deixava que ninguém as tocasse, apenas que a olhassem e se maravilhassem com a beleza delas. Pois, borboleta feliz é borboleta livre.


* Conto publicado na edição bilíngue (português/francês): "Meu livro de histórias preferidas 2", p.64-68, organizado por Izabelle Valladares/Literarte; bem como, no livro do autor "As viúvas do falecido", p.91-93.
Gabriel Joerke
Enviado por Gabriel Joerke em 28/09/2016
Alterado em 09/11/2016
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